(Português do Brasil) As férias escolares chegam e, com elas, uma pergunta comum entre pais e responsáveis: quanto tempo de tela é demais?
Proteínas em pó, creatina, vitaminas, pré-treinos e uma infinidade de suplementos ganharam espaço nas redes sociais e passaram a fazer parte da rotina de muitos adolescentes. Influenciadores, atletas e criadores de conteúdo compartilham diariamente dicas, receitas e promessas de ganho de massa muscular, melhora do desempenho físico e resultados rápidos.
Mas será que todos esses produtos são realmente necessários nessa fase da vida?
A adolescência é um período marcado por intensas mudanças físicas e hormonais. O organismo está em pleno desenvolvimento e, na maioria dos casos, consegue obter os nutrientes necessários por meio de uma alimentação equilibrada. Por isso, antes de iniciar qualquer suplementação, é fundamental entender que cada organismo tem necessidades diferentes.
Um dos erros mais comuns é acreditar que suplementos podem compensar uma alimentação inadequada. Na prática, eles foram desenvolvidos para complementar a dieta quando existe uma necessidade específica, identificada por um profissional de saúde.
Uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, cereais integrais, proteínas e boas fontes de gordura costuma fornecer os nutrientes necessários para o crescimento e o desenvolvimento saudável da maioria dos adolescentes.
Sem essa base, nenhum suplemento será capaz de trazer os resultados esperados.
As redes sociais popularizaram o consumo de suplementos, mas também facilitaram a disseminação de informações incompletas ou incorretas.
O fato de um influenciador utilizar determinado produto não significa que ele seja indicado para todos. Idade, nível de atividade física, estado de saúde, alimentação e objetivos individuais precisam ser considerados antes de qualquer recomendação.
Além disso, muitos conteúdos promovem expectativas irreais sobre ganho de massa muscular ou emagrecimento rápido, incentivando o uso indiscriminado de suplementos.
Existem situações em que a suplementação pode ser recomendada. Deficiências nutricionais, dietas restritivas, prática esportiva de alto rendimento ou determinadas condições de saúde podem justificar a indicação de vitaminas, minerais ou outros suplementos.
Nesses casos, a decisão deve ser baseada em avaliação clínica, exames laboratoriais e acompanhamento de profissionais como médicos e nutricionistas.
A automedicação ou a utilização de produtos por indicação de amigos, familiares ou influenciadores pode trazer riscos à saúde.
Embora muitos suplementos sejam vendidos livremente, isso não significa que sejam isentos de efeitos adversos.
O consumo inadequado pode sobrecarregar rins e fígado, causar alterações gastrointestinais, aumentar o risco de intoxicação por vitaminas e minerais ou provocar interações com medicamentos.
Outro ponto de atenção é a busca precoce por um corpo ideal. Em alguns adolescentes, o uso de suplementos pode estar associado à insatisfação com a imagem corporal e ao desenvolvimento de comportamentos alimentares inadequados.
Suplementação não deve ser encarada como tendência ou moda. Quando realmente necessária, ela pode contribuir para a saúde e o desempenho esportivo. Quando utilizada sem orientação, pode representar riscos desnecessários.
Antes de iniciar qualquer suplemento, vale fazer uma pergunta simples: ele foi indicado para mim ou apenas apareceu nas redes sociais?
Na adolescência, o investimento mais importante continua sendo uma alimentação equilibrada, atividade física adequada, boas noites de sono e acompanhamento profissional sempre que necessário. Esses hábitos seguem sendo a base para um crescimento saudável e uma vida adulta com mais qualidade.
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