Falamos bastante sobre as mudanças que o envelhecimento provoca nos músculos, nos ossos, na pele e até na memória.
Quando chega outubro, o rosa aparece nas fachadas, nas campanhas e nas redes sociais para lembrar a importância da prevenção e da detecção precoce do câncer de mama.
Uma caixa pode virar um castelo. O sofá se transforma em navio. Uma colher de pau pode ser microfone, varinha mágica ou instrumento musical.
Para uma criança, brincar não é apenas uma maneira de passar o tempo. É uma das formas mais importantes de descobrir o mundo.
Enquanto brinca, a criança movimenta o corpo, experimenta possibilidades, aprende regras, desenvolve a imaginação, enfrenta pequenas frustrações e cria maneiras de se relacionar com outras pessoas.
Uma brincadeira de correr, pular ou jogar bola estimula coordenação, equilíbrio e movimento. Montar blocos, desenhar e recortar trabalham outras habilidades. Já o faz de conta permite experimentar papéis, organizar pensamentos e expressar sentimentos que nem sempre conseguem ser colocados em palavras.
Brincar com outras crianças acrescenta novos aprendizados. É preciso dividir, esperar, negociar, combinar regras e, algumas vezes, lidar com o fato de perder.
Até o tédio pode ter seu papel.
Quando todos os minutos do dia são preenchidos por atividades organizadas ou entretenimento pronto, sobra pouco espaço para inventar. Momentos sem uma programação definida podem estimular a criança a encontrar maneiras próprias de brincar e criar.
Nesse cenário, as telas trouxeram um novo desafio para as famílias.
Celulares, tablets, televisão e videogames fazem parte da vida contemporânea e não precisam ser tratados como inimigos. A questão é quando passam a ocupar o espaço de experiências fundamentais: movimentar o corpo, brincar livremente, conversar, explorar ambientes e conviver com outras pessoas.
E existe uma brincadeira especialmente importante: aquela compartilhada com os adultos.
Não é necessário preparar grandes atividades. Jogar uma bola, montar um quebra-cabeça, contar histórias, desenhar juntos, cozinhar uma receita simples ou simplesmente entrar na brincadeira que a criança inventou pode criar momentos de vínculo e segurança emocional.
Para pais e cuidadores, isso também significa estar presente de verdade por alguns minutos. Sem dividir continuamente a atenção com notificações e outras tarefas.
No Dia das Crianças, presentes são bem-vindos. Mas talvez exista outro presente que não venha em uma embalagem.
Tempo para brincar.
Porque, enquanto parece estar apenas se divertindo, uma criança está movimentando o corpo, construindo relações, descobrindo emoções e aprendendo sobre o mundo.
Brincar faz parte da infância. E também faz parte da saúde.
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